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Como Lidar Com o Luto: De Qualquer Perda

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  Como Lidar Com o Luto: De Qualquer Perda Por Gabriel Matos | Mente em Evidência Bruce Wayne tinha oito anos quando viu seus pais serem assassinados numa calçada de Gotham. O que a maioria das adaptações do personagem conta como origem de um herói, a psicologia leria como o início de um luto que nunca foi atravessado. Porque Bruce não luta com o que aconteceu. Ele constrói em torno do que aconteceu. Cada treino, cada gadget, cada noite patrulhando a cidade é uma forma de fazer alguma coisa com a perda sem precisar sentir a perda. A máscara do Batman não protege só a identidade: protege o menino de oito anos que nunca teve espaço para chorar. E é por isso que, em quase toda adaptação séria do personagem, o que fica claro é que ele não superou a morte dos pais. Ele se tornou a morte dos pais. Essa distinção entre atravessar um luto e construir uma identidade em torno dele é o coração do que este artigo quer examinar. A palavra luto ativa, na maioria das pessoas, uma imagem espe...

O Problema Com a Positividade Tóxica

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  O Problema Com a Positividade Tóxica Por Gabriel Matos | Mente em Evidência Arthur Fleck tem uma condição neurológica que o faz rir quando está com dor. Não é que ele finge estar bem. Não é que escolhe sorrir para camuflar o que sente. É que seu sistema nervoso produz a resposta errada para o estímulo errado, independentemente do que ele queira. Ele chora por dentro e ri por fora, e não tem controle sobre o descasamento. O filme Coringa (2019) constrói toda a sua tragédia sobre esse ponto: a distância entre o que Arthur sente e o que o mundo vê, e o custo acumulado de viver dentro dessa distância sem que ninguém perceba o que está acontecendo dentro. A maioria das pessoas não tem uma condição neurológica. Mas muitas aprenderam a fazer uma versão funcional do mesmo processo. "Fica positivo." "Tudo vai dar certo." "Pelo menos você tem saúde." "Força, guerreiro." "Não adianta ficar pensando nisso." "Gratidão, que a vida é boa....

Tudo Que a Série Mente em Evidência Já Explorou (ate agora) - E Por Que Cada Peça Importa

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  Tudo Que a Série Mente em Evidência Já Explorou (ate agora) - E Por Que Cada Peça Importa Por Gabriel Matos | Mente em Evidência Alguns artigos funcionam como janelas. Você olha por eles, vê algo familiar sob uma luz diferente, e volta para a sua vida com uma percepção levemente alterada. Outros funcionam como mapas: não resolvem o percurso, mas mostram onde você está e o que existe ao redor. Esta série foi planejada para ser as duas coisas ao mesmo tempo. Ao longo de dezesseis artigos organizados em dois blocos, percorremos um território que vai da estrutura básica da mente humana até os padrões mais sutis que governam escolhas, relacionamentos e a maneira como cada pessoa constrói sentido para a própria vida. O fio condutor foi sempre o mesmo: a Terapia de Aceitação e Compromisso, ou ACT, uma das abordagens mais solidamente respaldadas pela pesquisa em psicologia clínica contemporânea. Este artigo reúne os principais conceitos de cada texto publicado até aqui. Não para su...

Autocompaixão Não É Fraqueza - É Uma Habilidade Que Ninguém Ensinou

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  Autocompaixão Não É Fraqueza - É Uma Habilidade Que Ninguém Ensinou Por Gabriel Matos | Mente em Evidência Imagine que você está assistindo uma cena: uma pessoa tenta resolver um problema, comete um erro, e então ouve de alguém ao lado: "Que diabos há de errado com você? Não é o bastante. Você está perdendo tempo. Vai estragar tudo de novo." Você reagiria a isso com indignação. Reconheceria o comportamento como abusivo. Talvez interviesse. Agora imagine que essa voz não vem de fora. Vem de dentro. E que ela acompanha essa pessoa todos os dias, em todo momento de falha, de incerteza, de cansaço, de comparação. A maioria das pessoas que passa por isso não o reconhece como abuso. Reconhece como autocrítica necessária. Como o preço da responsabilidade. Como a única coisa que as mantém funcionando. Essa é a armadilha que este artigo examina. O que autocompaixão não é A palavra autocompaixão tem um problema de marketing. Para muita gente, soa como autoindulgência: abrir ...

Quando a Sua História Fica Velha - Sobre Recomeços e Identidade

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  Quando a Sua História Fica Velha - Sobre Recomeços e Identidade Por Gabriel Matos | Mente em Evidência Há um momento em que a história que você conta sobre si mesmo para de servir. Não de uma vez: aos poucos. A versão que explicava quem você era, o que você queria e por que você fazia o que fazia começa a ranger. Parece pequena demais para o que você se tornou, ou grande demais para o que ainda consegue carregar. E uma pergunta aparece, às vezes como sussurro, às vezes como urgência: quem eu sou agora? Isso acontece depois de um divórcio. Depois que os filhos saem de casa. Depois que a carreira muda, ou termina, ou decepciona de um jeito que não estava no roteiro. Depois que alguém importante morre. Depois de uma doença. Ou sem nenhum evento dramático: simplesmente depois de uma certa quantidade de tempo em que a vida vivida não cabe mais nas palavras que você usava para descrevê-la. A crise de identidade na meia-vida foi descrita pela psicologia por décadas como fenômeno uni...